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  • Júnior Barbosa

Aldir Blanc: em tempos de pandemia, a referência para a cultura


O Brasil enfrentava os primeiros meses de pandemia quando, no dia quatro de maio de 2020, perdeu o escritor e compositor Aldir Blanc (73), vítima de complicações causadas pela Covid-19. Formado em medicina, ele deixou a profissão para se dedicar exclusivamente às artes na década de 1970, quando já era conhecido pelas músicas que embalavam as noites do Rio de Janeiro.


Carioca, Blanc nasceu no Estácio, um dos bairros mais tradicionais do samba, mas cresceu em Vila Isabel. Das experiências vividas entre o morro e os bairros de classe média, foi moldando o talento que atravessou fronteiras. Depois de muitos anos nos palcos, optou por viver recluso e raramente era visto fora de casa.


Sua partida aconteceu no mesmo período de intensos debates sobre as alternativas para o setor cultural, um dos primeiros que teve as atividades suspensas. Logo começou a tramitar no Congresso Nacional a proposta de destinar recursos emergenciais a estados e municípios.


Das incontáveis reuniões virtuais que discutiram o Projeto de Lei 1075/2020, houve consenso em adotar o nome de “Lei Aldir Blanc”. A aprovação teve apoio expressivo de deputados e senadores e, em agosto passado, o governo federal sancionou a proposta.


Além do auxílio para milhares de agentes que fomentam a cultura, parte do valor foi reservado a editais. O nosso projeto “Pelos Cantos de Macaé” está contemplado no “Retomada Cultural RJ”, do governo estadual e que tem a supervisão da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.


O legado


Uma das composições mais conhecidas de Aldir Blanc surgiu da parceria com João Bosco. A dupla escreveu a letra de “O bêbado e o equilibrista”, eternizada na voz de Elis Regina e que vem atravessando gerações. No auge da ditadura, a música ecoou na luta pela anistia de presos políticos que estavam exilados.



Na televisão, Blanc também foi autor de “Doces Olheiras” (Gabriela, 1975), “Coração Agreste” (Tieta, 1979), o tema de abertura das novelas “Chocolate com Pimenta” (2003) e “Suave Veneno” (1999), além de “Visconde de Sabugosa” (O Sítio do Pica-Pau Amarelo, 1977), entre tantos outros.


Para a literatura, assinou obras igualmente importantes, como “Rua dos Artistas e Arredores” (Codecri, 1978), “Brasil passado a sujo” (Geração, 1993) e “Vila Isabel – Inventário de infância” (1996).


Uma das últimas entrevistas aconteceu em 2016, quando ele completou 70 anos. Confira o conteúdo produzido pelo O Globo:




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